A RepúblicaThe Republic

A República
Marilá Dardot, 2016
Impressão digital sobre tecido de algodão
90x130 (cada parte de 3)

Na noite de 17 de abril de 2016 a Câmara dos Deputados do Brasil votou a favor do processo de impeachment contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Assistido por dezenas de milhões de pessoas em casa e nas ruas, a votação viu a oposição conservadora confortavelmente assegurar o seu movimento para remover a chefe de Estado eleita a menos de metade de seu mandato.
Os 513 membros da Câmara votaram um por um, cada um fazendo um breve discurso que raramente se referia à suposta razão pela qual Dilma está sendo acusada - a alegada falsificação das contas nacionais para esconder um déficit orçamental.
“Em honra de minha esposa, que não está bem, eu voto sim!”, alegou um deles. O deputado Jair Bolsonaro dedicou sua votação a Carlos Alberto Brilhante Ustra, o chefe da polícia secreta que torturou a presidente durante a ditadura militar. O Sr. Bolsonaro elogiou-o como “o terror de Dilma Rousseff”, em referência ao seu sofrimento.
Cada peça de A República é uma composição em que os discursos justificados pela família, por Deus e pelos meus amigos foram sobrepostos em uma das formas de bandeira brasileira (retângulo, losango e círculo).


A República (The Republic)
Marilá Dardot, 2016
Digital printing on cotton fabric
90x130 (each part of 3)

On the evening of 17 April 2016 Brazil’s Chamber of Deputies voted for the “yes” on the impeachment against the President of Brazil, Dilma Rousseff. Watched by tens of millions at home and in the streets, the vote – which was announced deputy by deputy – saw the conservative opposition comfortably secure its motion to remove the elected head of state less than halfway through her mandate.
The house’s 513 members voted one by one, each giving a short speech that rarely referred to the supposed reason for which Ms Rousseff is being impeached — her alleged fudging of the national accounts to hide a budget deficit. “In honour of my wife,
who is not well, I vote Yes!” cried one lawmaker. Rightwing lawmaker Jair Bolsonaro dedicated his vote to Carlos Alberto Brilhante Ustra, the chief of secret police during the country’s military dictatorship of 21 years that started in 1964. Mr Bolsonaro lauded him as “the terror of Dilma Rousseff”, a reference to her suffering as a Marxist guerrilla who was tortured under the dictatorship.
Each piece of A República (The Republic) is a composition in which the speeches justified by the família (family), Deus (God) and os meus amigos (their friends) were superimposed in one of the Brazilian flag forms (rectangle, lozenge and circle).